Acéfalos: O drible contra a Morte (Parte III)

quarta-feira, março 15

O drible contra a Morte (Parte III)

Anteriormente escrevi sobre a possível eternidade que terá o ser humano com a evolução da ciência.
Mas você já pensou quanto vale uma pessoa morta?
Um morto tem o valor de sua herança. Quiçá no futuro valerá seus órgãos que serão vendidos para transplante.

Mas tem algo que transcende essa visão. Um morto vale seu legado, seu destino, sua obra. Ouvi muito o ator Antonio Abujamra perguntar: O que é mais importante para você um destino humano ou uma Obra?
A grande maioria dos convidados respondiam humildemente: "Prefiro um Destino Humano". Mas será verdade? Será que todos nós não temos a ambição de deixar uma obra? Não peço para serem vaidosos, mas serem orgulhosos por suas vidas honradas.

Para o morto, após a morte, nada mais resta a não ser a honra. Não é necessário deixar uma grande obra (vide capítulo anterior). As vezes a retidão de sua conduta deixará um legado - "Aquilo que te move".
Esqueçamos a falsa modéstia descritas pelos convivas do Antonio Abujamra. Segundo Nietzche, o que move o ser humano é a "Vontade de Poder". Isso não quer dizer que o cara quer dominar o mundo. Na verdade, mostra que o ser humano é um ser desejante e vai em busca de poder conhecer e dominar aquilo que o move.

A cada dia ouço mais e mais pessoas fantasiando com seus funerais e a maioria me diz: Quem irá no meu funeral, acredito que não haverão muitas pessoas, como vão se lembrar de mim?
A resposta é que pode ser que muitos te esqueçam realmente, e logo após sua morte te transformarão em santo. Todos os mortos são ótimos pais, mães dedicadas, chefes maravilhosos e políticos honestos.

Quanto vale um vivo?
O vivo nem sempre trás lucro. Muitas vezes ele é o prejuízo de uma família.
Exemplo:
1 - Filho viciado em drogas, rouba sua família para sustentar o vício. Gasta a comida, as roupas, destroi a vida dos próximos, etc.
2 - A criança nasce, investe-se amor, roupas, fraudas, escola, médico na infância. Muitos destes gastos se perpetuam na adolescencia como livros, faculdade, brinquedos, jogos, hobbys. Na vida adulta todo esse investimento vira o futuro trabalho do indivíduo. Mas Tudo o que ele trabalhar durante sua vida vai pagar todo o investimento anterior? E se ele fizer faculdade mas escolher ser pescador?
Pode parecer prejuízo, não é?! Mas o lucro estará no sonho da evolução da família. Minha avó era doméstica e faleceu analfabeta Minha mãe é advogada, eu sou um psicólogo anarquista. Mas nem por isso considero um prejuízo. Pois a evolução do pensamento, da formação ideológica aliadas às atitudes valem o investimento.

E você prefere um Destino Humano ou uma Grande Obra?

1 Comments:

Anonymous Tato said...

Muito bom, muito bom mesmo! Meio injusto da minha parte não? Você sempre tece comentários especificos das minhas crônicas, e eu me limito sempre a apenas congratular as suas. Mas, parto da premissa que você sabe da profundidade que as suas colocações têm, e talvez eu não saiba comentar tão bem como você. Contudo, não preciso atestar minha sinceridade. Mais do que bom ou ruim, mais do que comentar ou parabenizar, digo que foi muito prazeroso ler esta crônica.

4:35 PM  

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